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Nossa Ir. Maria Inês junto ao nosso Povo Indígena

Na tarde do dia 24 de agosto, estiveram no Acampamento Luta pela Vida, na Praça da Cidadania, no Plano Piloto, em Brasília (DF), representantes da CNBB, CIMI e CRB, levando solidariedade e apoio às suas reivindicações.

A vida consagrada está onde a vida é ameaçada

Pela CRB Nacional, esteve a presidente, Ir. Maria Inês Vieira Ribeiro, mad, que atendeu a imprensa e dirigiu a palavra à assembleia dos indígenas no Acampamento . Disse ela:

“Para nós da Conferência dos Religiosos do Brasil, estar presente e apoiar esta luta dos povos originários está dentro da nossa missão. A vida consagrada está onde a vida é mais ameaçada. Quer mais ameaçada do que a vida os nossos indígenas no Brasil? Agora, sofre a ameaça de perder cada vez mais as terras. Que eles possam ter vida digna e possam preservar o meio ambiente, a nossa casa comum que é o futuro, o projeto de vida para o planeta. Temos que defender os indígenas, temos que defender a luta deles. Quanto ao marco temporal, a CRB é contra aquilo que vai contra os direitos dos indígenas. Somos contra a opressão e o descarte no Brasil.”

Economia da solidariedade e comunhão

Irmã Sueli Belatto, coordenadora da Regional da CRB Brasília, Formosa e Luziânia, também falou sobre o momento:

“Este é um momento muito privilegiado de ter aqui na capital federal a presença dos povos indígenas reivindicando os seus direitos, demarcação de terra, respeito pela terra da qual eles são os guardiões há mais de 520 anos. Se nós temos água, se nos temos ar nos devemos aos povos indígenas que não entraram na economia de mercado, mas entraram na economia da solidariedade e da comunhão.”

Dirigindo-se às missionárias religiosas que se dedicam à evangelização junto aos povos indígenas, Irmã Sueli disse:

“Eu diria a minhas Irmãs e aos meus Irmãos que estão junto aos povos indígenas que vocês cuidam de um dos sacramentos mais importantes de Deus: são as criaturas, as pessoas, estas pessoas, das quais vocês estão ao lado comungando dos mesmos sonhos dos mesmos desejos. Sintam a nossa solidariedade, sintam o nosso apoio, a nossa comunhão e a nossa oração. Vocês não estão sozinhas e sozinhos, vocês nos representam no meio deste povo que é um povo tão sagrado”

Sobre o marco temporal, disse Irmã Sueli:

“O que não pode acontecer é ter um retrocesso da lei, que não preserve o direito dos que foram conquistados em 88. Se algum dos povos não estavam em cima da terra em 1988 é porque provavelmente foram expulsos e estavam lutando para sua volta.. Eles são os guardiões da terra há mais de 500 anos, desde que o Brasil é Brasil. Por issso é que não pode ter nenhum retrocesso, o que seria restringir a própria vida dos povos indígenas. A terra pra eles não é mercadoria. É vida. A terra é o mesmo que a água, que o ar. Então, não pode haver uma troca por valor especulativo”.

Apelo à justiça, ao Supremo Tribunal Federal

Dom Walmor Oliveira Azevedo, presidente da CNBB, falou a todos:

“Estamos com os povos indígenas, com o CIMI. Somos a CNBB, a Igreja apoiando aquilo que é da justiça. Esperamos que esta decisão do Supremo Tribunal seja em favor dos indígenas, respeitando a vida deles, sua história de povos originários e a importância da terra. Eles nos ensinam a viver de forma diferente na Casa Comum. Por isso, estamos aqui apoiando. E, apelamos aos Ministros do Supremo Tribunal Federal, por esta experiência de verdade, de justiça e de respeito. Contem conosco. Estamos juntos neste caminho”

Que o Supremo Tribunal Federal respeite os direitos estabelecidos

Dom Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), afirmou:

“Os povos indígenas, apesar do massacre neste caminho genocida que estão vivendo, demonstram capacidade de resistência, da resistência nesta linha da não-violência. povos indígenas estão pedindo nada mais nada menos que o Supremo Tribunal Federal ajude a respeitar os direitos estabelecidos. Que ajude a firmar o que a Constituição reza. Os povos indígenas não são contra o desenvolvimento. Pelo contrário. Não concordam com desenvolver a natureza e os biomas, e concentrar a renda para poucos. São favoráveis ao desenvolvimento que leve a vida plena para todos”.

Todos se empenhando por um Brasil que respeite o suor, o sangue e a vida

Dom Joel Portella, secretário-geral da CNBB, disse:

“É uma alegria estar aqui quando vejo gente reunida lutando pela vida, quando vejo solidariedade, ajuda, apoio, quando vejo o sonho por um Brasil diferente. A CNBB expressa solidariedade aos índios, em respeito aos povos originários no conflito com o marco regulatório. É uma solidariedade histórica porque desde que a CNBB existe sempre foi solidária com os povos indígenas. E sobre o marco regulatório, que seja expressão de respeito até para o bem do próprio Brasil. Se vocês estão lutando pelo respeito, para que o marco temporal não seja a grande referência vencedora, estamos todos nós nos empenhando por um Brasil que respeite a democracia, por um Brasil que respeite a Constituição, por um Brasil que respeite o suor, o sangue, a vida de muitos que se foram, e um Brasil que respeite cada brasileiro, cada brasileira. Que o Deus da vida abençoe vocês. Vale a pena sonhar por um mundo diferente”.

A vida religiosa tem que estar ao lado dos povos indígenas

Frei Mateus Bento dos Santos, religioso capuchinho, da Pastoral Indigenista do Regional Sul 1, veio de São Paulo. Disse que a capital paulista é a 2ª capital brasileira em número de indígenas presentes.

“Temos um trabalho de base com os indígenas tanto na aldeia como no contexto urbano. Estamos com eles como Igreja que caminha com o povo. Estamos ao lado, vivemos juntos, compartilhamos a vida, somando a luta, especialmente neste momento em que tem seus territórios ameaçados. O território para o indígena é vida. A gente entende que a vida religiosa tem que estar ao lado destes irmãos. É de grande importância o apoio dos religiosos aos povos originários. Acompanhar, estar junto, na medida do possível visitá-los e garantir-lhes os territórios. Entender a sua história e valorizar o que vivem. E temos muito a aprender com eles. ”

Uma cacique fala de seus direitos

Dona Izabel Xerente, Cacique dos Povos Xerente, fez questão de falar com a CRB dizendo:

“Estamos aqui buscando nossos direitos, de nossos netos e tataranetos, direitos a nosso território, que o posseiro está querendo pegar”.

No final deste momento tão especial da forte presença da Igreja junto aos povos indígenas, as lideranças religiosas da CNBB e CRB receberam homenagem por meio de uma significativa condecoração: um colar de três voltas que lhes foi colocado ao pescoço, símbolo da comunhão.

Fonte: crbnacional.org.br

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